sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

A vila onde moro se chama:COMODISMO.

“The village where I live is called laziness”
“El pueblo donde vivo se llama pereza”

Primeira pessoa. É bem aqui neste lugar perfeito/imperfeito que se dá a loucura. A revolta. Horas de segunda a sexta. Preocupações nos sábados e domingos. Sem total paz no feriado. Nas conversas por telefone sou cobrado. Durante á aula é uma encheção de saco! Não conseguiram ver as horas que dediquei lendo coisa difícil de entender. Para depois não levarem nada em conta os esforços empreendidos?
Eles são nossos funcionários, pagos com nossos impostos e se acham os tais. Merecem honras por terem chegado na “pós...” ou acima disso. Mas o interessante que ainda se parecem gente, e se acham deuses. São especializados em determinados assuntos, entretanto em outros que dominamos muito bem, eles são umas aberrações. Então para que nos oprimir?
Espaço geográfico delimitado, um extenso lote. Com vários prédios para designar as atividades de seus aparelhos. É aqui nesse lugar que a história e as estórias de muitos “acontece”. Gentes que se deslocam de metros á muitos quilômetros. Transitam por asfaltos bons e precários, por estradões de poeiras e lamas. Deixam em casa suas famílias. Falam para os conhecidos estou indo para á... Tornar-me um (a) erudito (a)... Um crítico... Alguém capaz de...  Fazer a “diferença”... No trabalho... Na “sociedade”. E perguntam qual o curso que você faz? “Ah eu curso... Serei um professor de...” Esse pessoal que se locomove: Às vezes a pé, de ônibus, a cavalo, de bicicleta, moto, carro, barco, balsa e diversas condições... Melhor ir ao assunto: Será que estes diversos transitantes estão aqui por que querem fazer graça para aqueles que lhe são superiores? (pelo menos uma porcentagem deles se acham os maiorais)
E o silêncio continua na hora dos sermões dentro do ambiente de ensino/aprendizagem... Alguns destes oradores até usam tom de voz complacente... (deixa só ver a hora da avaliação a boa intenção) Todos só ouvem ninguém contesta, quem é que tem razão? Não somos “todos” irresponsáveis? Por que você não leu? Vocês têm deficiência nisso, isso, assado e ponto beléu! Mas e aí? É uma vida de quatro anos (geralmente para mais do que para menos), e estamos aqui dando motivos para sorrirem da nossa cara?! Excelência?! Objetivo?! Sonho?!  

Necessidade?! Revolução?! Babaquice?! Discurso de alunos arrogantes compactuantes e supremos?! Porventura falei de cantina de duzentos mil? Para mim como para muitos outros, não sabemos de nada disso. Alguém ouviu falar de cantina cara, mais absurdamente cara como os olhos da cara? Nem mesmo sobre “casa do estudante”, “mestrado”, ou qualquer outra pretensão, que se dissesse que seria uma conquista para os moradores da região do bico do papagaio, e estudantes filhos da classe dos trabalhadores, que ocupam este espaço mostrando os reflexos da realidade social.Eu?!... Sou apenas um pobre que estou vidrado no alimento que me dão para comer. Não enxergo, além disso (internet grátis, e o status de universitário), não consigo ver nem mesmo as mãos que me servem. Depois de saciar minha fome... O melhor a fazer é deitar em berço esplêndido. E o mundo que continue pegando fogo! Aceitei o rótulo: de que a atividade de pensar, está para além de mim!
Extenso lote aparelhado com “emblema de Educação Superior”. Pode ser o palco do ridículo, pode ser o palco das artes criticas, pode ser o palco dos que falam gritando sem razão. Aqui também pode ser apenas a geografia da perca de tempo! No entanto pode ser o berço dos revolucionários. Daqueles que revolucionarão suas próprias vidas para melhor.
Não dá para perder tempo. Não devemos sair daqui pior do que entramos. Vivemos na sociedade capitalista (oh afirmação mais...): TEMPO é dinheiro! Eu quero mergulhar no mercado de trabalho e ter meu próprio emprego (quem não quer?). Quero adquirir conhecimento o suficiente para me tornar competente. E as teorias aqui estudadas para que me servem? Não é para me tornar capaz de pensar a realidade social, pesquisar e escrever sobre a mesma? Para que mais vale essa merda de graduação? O que mais falta aqui neste local que tanto me incômodo, com não o sei o quê? Será que sou o único que de vez em vez questiono o fim destes estudos, do tempo empreendido, do dinheiro com as apostilas, de assistir as evasões dos meus colegas de curso, da preocupação com a nota do ENADE e da insatisfação de alguns professores, e de qual é a verdadeira leitura da realidade que não tenha por detrás de si, interesses pretensiosos de cunho pessoal?
Não sei de nada, nadinha de nada, de nada mesmo... Sou apenas o analfabeto com diploma do ensino médio, que estou cumprindo o meu papel de fazer palhaçadas, e ser ignorado como vazio de ideias, desprovido da capacidade de perceber o mundo, porquê ainda vivo no senso comum e não tenho direito de opinar. A verdade é que estou na passividade, a vila em que moro, chama-se: COMODISMO!!! 

 
Por ele mesmo (Dynisson Sanches).
De manhã, na biblioteca da UFT. No dia 05/12/11

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